A Divide da IA Generativa: Por que ferramentas genéricas prosperam, enquanto soluções empresariais falham.
- jarisonmelo

- 29 de ago. de 2025
- 8 min de leitura

Análise baseada no Relatório "State of AI in Business 2025" - MIT Project NANDA eada no Relatório "State of AI in Business 2025" - MIT Project NANDA
1. Contexto e Dados do Relatório
O relatório "State of AI in Business 2025", conduzido pelo MIT Project NANDA entre janeiro e junho de 2025, revela um paradoxo surpreendente no cenário empresarial da Inteligência Artificial Generativa. Apesar de investimentos empresariais da ordem de US$ 30-40 bilhões em GenAI, a pesquisa descobriu que 95% das organizações não estão obtendo retorno algum sobre esses investimentos.
A metodologia do estudo incluiu entrevistas estruturadas com representantes de 52 organizações, análise sistemática de mais de 300 iniciativas públicas de IA, e respostas de pesquisa de 153 líderes seniores coletadas em quatro grandes conferências do setor. Os resultados revelam uma divisão tão perceptível que os pesquisadores denominaram o fenômeno de "GenAI Divide" (Divisão ou Separação da IA Generativa).
Mesmo que isso seja uma realidade atualmente, em minha avaliação, essa GenAl Divide não é permanente. A partir de minha experiência ao longos dos anos em diversos processos corporativos que tiveram que ser implementados, vejo isso como algo que ocorreria inicialmente, sendo até normal, já que estamos em um momento de transição para o uso corporativo da IA, que ainda está sendo aprendido, reconhecido, valorizado e posto em prática.
Todavia, exige que as empresas façam escolhas fundamentalmente diferentes sobre a tecnologia, as parcerias e o design organizacional. Em vez de investir em ferramentas estáticas que exigem constante direcionamento, elas devem buscar parcerias com fornecedores que oferecem sistemas personalizados e se concentrem na integração de fluxo de trabalho em vez de demonstrações chamativas.
Dados Quantitativos Principais:
Relatório "State of AI in Business 2025", conduzido pelo MIT Project NANDA entre janeiro e junho de 2025, revela um paradoxo surpreendente no cenário empresarial da Inteligência Artificial Generativa. Apesar de investimentos empresariais da ordem de US$ 30-40 bilhões em GenAI, a pesquisa descobriu que 95% das organizações não estão obtendo retorno algum sobre esses investimentos.
A metodologia do estudo incluiu entrevistas estruturadas com representantes de 52 organizações, análise sistemática de mais de 300 iniciativas públicas de IA, e respostas de pesquisa de 153 líderes seniores coletadas em quatro grandes conferências do setor. Os resultados revelam uma divisão tão perceptível que os pesquisadores denominaram o fenômeno de "GenAI Divide" (Divisão ou Separação da IA Generativa).
Mesmo que isso seja uma realidade atualmente, em minha avaliação, essa GenAl Divide não é permanente. A partir de minha experiência ao longos dos anos em diversos processos corporativos que tiveram que ser implementados, vejo isso como algo que ocorreria inicialmente, sendo até normal, já que estamos em um momento de transição para o uso corporativo da IA, que ainda está sendo aprendido, reconhecido, valorizado e posto em prática.
Todavia, exige que as empresas façam escolhas fundamentalmente diferentes sobre a tecnologia, as parcerias e o design organizacional. Em vez de investir em ferramentas estáticas que exigem constante direcionamento, elas devem buscar parcerias com fornecedores que oferecem sistemas personalizados e se concentrem na integração de fluxo de trabalho em vez de demonstrações chamativas.
Dados Quantitativos Principais:
80% das organizações exploraram ou testaram ferramentas como ChatGPT e Copilot
40% reportam algum nível de implementação de ferramentas genéricas
60% das organizações avaliaram sistemas empresariais personalizados
Apenas 20% alcançaram a fase de piloto com sistemas empresariais
Somente 5% chegaram à produção com soluções empresariais
95% das soluções empresariais de IA falham antes da implementação completa
2. Análise detalhada dos motivos principais:
2.1 Sucesso das ferramentas genéricas: Flexibilidade e familiaridade
O sucesso das ferramentas genéricas como ChatGPT baseia-se em três pilares fundamentais identificados pela pesquisa: Flexibilidade, familiaridade e utilidade imediata. Os usuários empresariais reportaram experiências consistentemente positivas com essas ferramentas, elogiando especificamente sua capacidade de adaptação às necessidades individuais e a interface já conhecida do usuário.
"Com o ChatGPT, posso guiar a conversa e iterar até obter exatamente o que preciso. A diferença fundamental de qualidade é perceptível - o ChatGPT consistentemente produz melhores resultados, mesmo que nosso fornecedor afirme usar a mesma tecnologia subjacente." - Advogada corporativa entrevistada
A taxa de implementação piloto-para-produção de chatbots genéricos atinge aproximadamente 83%, contrastando drasticamente com as soluções empresariais. Entretanto, essa alta taxa mascara uma limitação crucial: essas ferramentas primariamente melhoram a produtividade individual, não o desempenho de P&L (Profit & Loss) das organizações.
2.2 Falhas das soluções empresariais: A lacuna do aprendizado
O relatório identifica que o principal obstáculo para o escalonamento não é infraestrutura, regulamentação ou talento, mas sim o aprendizado. A maioria dos sistemas GenAI empresariais não retém feedback, não se adapta ao contexto ou melhora ao longo do tempo. Esta "lacuna do aprendizado" representa o núcleo do problema.

2.3 A Economia sombra da IA: Revelando preferências reais
Uma descoberta particularmente reveladora foi a identificação de uma "economia sombra da IA". Enquanto apenas 40% das empresas afirmam ter adquirido assinaturas oficiais de LLM, trabalhadores de mais de 90% das empresas pesquisadas reportaram uso regular de ferramentas pessoais de IA para tarefas de trabalho, frequentemente sem conhecimento ou aprovação do departamento de TI.
Insight Crítico: Funcionários usam LLMs múltiplas vezes por dia através de ferramentas pessoais, enquanto as iniciativas oficiais de IA de suas empresas permanecem estagnadas na fase de piloto.
3. Avaliação crítica dos motivos identificados:
3.1 Análise da preferência por ferramentas genéricas
A preferência massiva por ferramentas genéricas revela uma falha fundamental no design de sistemas empresariais. O fato de que uma ferramenta de US$ 20 por mês frequentemente supera sistemas personalizados custando dezenas de milhares de dólares sugere que o problema não está na capacidade técnica, mas na abordagem de desenvolvimento e implementação.
Esta situação evidencia três problemas organizacionais críticos:
Desconexão entre desenvolvimento e uso real: Os sistemas empresariais são desenvolvidos com base em especificações teóricas, não no comportamento real dos usuários.
Superengenharia desnecessária: Soluções empresariais tendem a ser "overengineered", adicionando complexidade que prejudica a usabilidade.
Ausência de feedback iterativo: Diferentemente das ferramentas genéricas que evoluem baseadas no uso massivo, sistemas empresariais raramente incorporam aprendizado contínuo.
3.2 Limitações das ferramentas genéricas para trabalho crítico
Embora as ferramentas genéricas dominem tarefas simples (70% preferem IA para rascunho de e-mails e 65% para análises básicas), para trabalhos complexos ou de longo prazo, humanos dominam por margens de 9 para 1. Esta limitação revela que a linha divisória não é inteligência, mas memória, adaptabilidade e capacidade de aprendizado.
"É excelente para brainstorming e primeiros rascunhos, mas não retém conhecimento das preferências do cliente ou aprende com edições anteriores. Repete os mesmos erros e requer entrada extensiva de contexto para cada sessão. Para trabalho de alto risco, preciso de um sistema que acumule conhecimento e melhore ao longo do tempo." - Advogada corporativa entrevistada
3.3 O Paradoxo do investimento empresarial
Um paradoxo significativo emerge dos dados: empresas lideram em volume de pilotos e alocam mais pessoal para iniciativas relacionadas à IA, mas reportam as menores taxas de conversão piloto-para-escala. Empresas de médio porte, em contraste, movem-se mais rápida e decisivamente, com cronogramas médios de 90 dias do piloto à implementação completa, comparado aos nove meses ou mais das grandes empresas.
Este paradoxo sugere que tamanho organizacional e recursos disponíveis podem, contraditoriamente, ser obstáculos ao sucesso na implementação de IA, devido à complexidade organizacional adicional e processos de tomada de decisão mais burocráticos.
4. Padrões de sucesso e fracasso
4.1 Características dos casos de sucesso
As organizações que conseguiram cruzar o "GenAI Divide" demonstram três características distintas:
Parcerias estratégicas vs. desenvolvimento interno: Parcerias externas têm taxa de sucesso de 67% comparado a 33% para desenvolvimentos internos
Foco em aprendizado e adaptação: 66% dos executivos demandam sistemas que aprendam com feedback
Integração profunda com workflows existentes: 63% exigem retenção de contexto
4.2 ROI Real vs. Investimento Percebido
Contrariando a tendência de investimento (50% dos orçamentos de GenAI direcionados para vendas e marketing), algumas das economias mais dramáticas documentadas vieram da automação de back-office:

5- Minha Avaliação sobre os Motivos
Concordo plenamente com as conclusões do relatório do MIT e adiciono as seguintes perspectivas:
O Paradoxo da Expectativa vs. Realidade: Os funcionários, ao usarem ferramentas como o ChatGPT em suas vidas pessoais, desenvolvem uma expectativa de como a IA "deveria funcionar": de forma fluida, instantânea e conversacional. Quando encontram uma ferramenta corporativa rígida e com uma experiência de usuário pobre, a frustração é imediata. Isso cria uma "tensão fundamental", onde a experiência positiva com a IA de consumo torna os usuários "menos tolerantes" com as ferramentas estáticas da empresa.
O Problema do "Último Quilômetro" (Last Mile): Ferramentas genéricas resolvem 80% do problema com 20% do esforço. Elas são ótimas para rascunhos e tarefas genéricas. No entanto, o valor crítico nos negócios está no "último quilômetro": A personalização para um cliente específico, a conformidade com uma regulamentação interna ou a adaptação a um processo único da empresa. É exatamente nesse ponto que as soluções empresariais falham, pois não possuem a capacidade de aprendizado e adaptação contextual para cobrir essa última e crucial etapa.
Cultura Organizacional e Medo da Mudança: O relatório aponta que a gestão da mudança é um desafio. Na minha avaliação, isso vai além. A implementação de uma IA que aprende de verdade exige uma mudança fundamental na forma como as equipes trabalham e como o conhecimento é gerenciado. As empresas que têm sucesso são aquelas que descentralizam a implementação, permitindo que as equipes da linha de frente liderem a adoção, em vez de depender de um laboratório central de IA.
A Confiança é o Elo Perdido: Para tarefas de alto risco, 90% dos profissionais ainda preferem um colega humano a uma IA. Isso ocorre porque a confiança não se baseia apenas na precisão, mas também na previsibilidade, na memória e na capacidade de adaptação. As ferramentas atuais não constroem essa confiança. As empresas que vencerão serão aquelas que construírem sistemas que não apenas geram conteúdo, mas que aprendem e melhoram dentro do ambiente do cliente, conquistando a confiança através da performance consistente e adaptativa.
Em outras palavras, a ampla adoção de ferramentas genéricas é um fenômeno de produtividade individual impulsionado pela facilidade de uso. Já o fracasso das soluções empresariais é um problema sistêmico, enraizado na incapacidade dessas ferramentas de se integrarem e aprenderem com os fluxos de trabalho específicos da organização, criando uma "divisória" clara entre a promessa da IA e a realidade de seu impacto nos negócios.
6. Conclusões e recomendações:
6.1 Implicações estratégicas
O "GenAI Divide" não é um problema tecnológico, mas organizacional e de abordagem. As empresas que permanecem no lado errado dessa separação continuam investindo em ferramentas estáticas que não conseguem se adaptar aos seus workflows, enquanto aquelas que cruzam a divisão, focam em sistemas capazes de aprendizado.
A janela para cruzar esta divisão está se estreitando rapidamente. Nos próximos trimestres, várias empresas estabelecerão relacionamentos com fornecedores que serão quase impossíveis de desfazer, criando custos de mudança que se acumulam mensalmente.
6.2 Recomendações Práticas
Para Organizações:
Parar de investir em ferramentas estáticas que requerem prompting constante
Iniciar parcerias com fornecedores que oferecem sistemas personalizados
Focar na integração de workflow em vez de demos impressionantes
Capacitar gerentes de linha em vez de depender de laboratórios centrais
Para Fornecedores:
Desenvolver sistemas que aprendem e se adaptam continuamente
Priorizar integração profunda com workflows existentes
Construir capacidades de memória persistente e feedback iterativo
Focar em casos de uso específicos de alto valor antes de expandir
6.3 O Futuro: Rumo à Web Agêntica
O relatório antevê uma evolução além dos agentes individuais de IA para uma "Web Agêntica", onde sistemas autônomos podem descobrir, negociar e coordenar através de toda a infraestrutura da internet. Esta transformação representa uma mudança fundamental dos processos empresariais mediados por humanos de hoje para sistemas autônomos que operam através de todo o ecossistema da internet.
As organizações e fornecedores que reconhecem e agem com base nesses padrões estabelecerão posições dominantes na economia de IA pós-piloto, do lado certo do GenAI Divide. Para organizações atualmente presas no lado errado, o caminho à frente é claro, mas requer escolhas fundamentalmente diferentes sobre tecnologia, parcerias e design organizacional.
Esta análise baseia-se no relatório "State of AI in Business 2025" do MIT Project NANDA, conduzido entre janeiro e junho de 2025, envolvendo 52 organizações e mais de 300 iniciativas públicas de IA.




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