SOMOS INSUBSTITUÍVEIS
- Carlos Coan

- 1 de set. de 2025
- 3 min de leitura
O DJ brasileiro de fama internacional enxerga os
evidentes riscos da inteligência artificial também
na música eletrônica, mas defende a inventividade
humana como ferramenta inigualável

Vivendo em tempos de transformações digitais aceleradas, nos deparamos diariamente com debates cada vez mais intensos sobre o impacto da inteligência artificial (IA) em diversas áreas de nossas vidas. Música, arte, literatura e outras formas de expressão humana já não escapam à influência dessas tecnologias. No centro desse turbilhão digital, artistas de renome, como o DJ brasileiro Alok, fazem um convite importante à reflexão: será que somos mesmo substituíveis?
O Valor Único da Criatividade Humana
Com carreira internacional consolidada e reconhecido por ser um dos principais nomes da música eletrônica no Brasil e no mundo, Alok resume sua visão de forma contundente: “Para fazer arte, é preciso alma humana”. Ele acredita que a criatividade genuína nasce de nossas experiências, vivências e vulnerabilidades. Por mais avançada que seja, nenhuma máquina consegue replicar o sentimento humano puro, aquele que inspira e toca pessoas através das canções.
O DJ vê a tecnologia — incluindo a IA — como aliada do processo criativo e não como sua inimiga. Ele próprio, conhecido por trabalhar com recursos de ponta em suas produções e apresentações, afirma que a inovação serve para potencializar a criação artística, proporcionando novas ferramentas e ampliando experiências para o público. Mas existe um limite intransponível: a alma por trás da arte é insubstituível.
Oportunidades e Desafios da Inteligência Artificial
Alok reconhece os vários benefícios que a IA já trouxe à cena musical. Hoje, um jovem talentoso, com um simples laptop e acesso a softwares sofisticados, pode criar músicas que há alguns anos dependeriam de um estúdio inteiro. A tecnologia tornou a produção musical mais democrática, permitindo que vozes antes invisíveis possam ser ouvidas no mundo inteiro.
Além de derrubar barreiras técnicas, a IA está possibilitando experimentações com novas linguagens artísticas, que resultam em sonoridades antes impensáveis. O artista brasileiro vê isso com entusiasmo e destaca: “Isso é incrível”. De fato, graças à tecnologia, a música eletrônica, por exemplo, se expandiu, conquistou novos públicos e encontrou espaço até nos maiores festivais do planeta.
Porém, os benefícios vêm acompanhados de riscos significativos:
Excesso de Conteúdo Automatizado: Existe o perigo de inundar o mercado cultural com obras produzidas automaticamente, tecnicamente impecáveis, mas sem contexto, identidade ou emoção.
Questões Éticas: Alok alerta para problemas como o uso não autorizado de vozes, violações de direitos autorais e manipulação de imagem. São preocupações reais e urgentes que exigem soluções sociais e jurídicas.
O Papel do Artista na Era Digital
Se a tecnologia pode facilitar tanto o fazer artístico, como garantir que o artista — e não a máquina — permaneça no centro da criação? Para Alok, o caminho está em cultivar a autenticidade. Ele aconselha jovens artistas a não se esconderem atrás das facilidades da IA, mas a buscarem suas histórias, sentimentos e experiências como maiores fontes criativas. "A IA pode ajudar a traduzir isso em som, mas ela não vai criar isso por você", enfatiza o DJ.
A originalidade, para ele, nasce da coragem de ser vulnerável, de experimentar e de dar um significado pessoal à obra. Usar a tecnologia como ferramenta, sim, mas sem jamais deixando de lado o processo de autoconhecimento e amadurecimento artístico.
A Evolução da Música Eletrônica
A música eletrônica, gênero do qual Alok é referência, ilustra bem esse cenário. Além de assistir à profissionalização e ao amadurecimento do gênero, o artista percebeu um público mais exigente e plataformas de streaming impulsionando o consumo. O resultado é uma cena dinâmica e plural, onde ser autêntico é diferencial fundamental para se destacar.
Mais do que isso: estilo, visual e postura também fazem parte do show. Para Alok, acessórios e escolhas visuais são formas de ampliar o discurso artístico, representando valores e comportamentos humanos — sempre com a intenção de criar conexão genuína com o público.
Conclusão: Tecnologia a Serviço da Humanidade
No fim das contas, o debate não se trata de tecnologia versus humanidade, mas de como podemos usar o progresso para enriquecer e potencializar aquilo que temos de mais valioso: nossa criatividade, sensibilidade e capacidade de emocionar. Alok nos lembra que somos insubstituíveis sempre que colocamos alma em tudo aquilo que fazemos.
Na era da inteligência artificial, ser autêntico — humana e criativamente — torna-se o maior diferencial. Que a tecnologia sirva para ampliar nosso alcance, mas nunca para substituir quem realmente somos.




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